Texto escrito por Mariane Morisawa, de Los Angeles, e publicado no site da Marie Claire em 29/03/2010:
Essa Alice está diferente. A menina que visitou o País das Maravilhas cai no buraco do coelho de novo, mas agora na forma de uma quase adulta, no filme dirigido por Tim Burton que estreia no dia 21 de abril no Brasil.
Marie Claire já assistiu e pode dizer: Alice no País das Maravilhas é lindo. Os cenários estão visualmente deslumbrantes. A maquiagem de Johnny Depp como o Chapeleiro Maluco e de Helena Bonham-Carter como a Rainha de Copas é maravilhosa. Os vestidos da Alice de Mia Wasikowska são lindos – você fica esperando cada crescimento e encolhimento da personagem só para ver que roupa ela vai estar usando.
A jovem atriz australiana, aliás, é uma ótima razão para assistir a Alice. Assim como os já citados Johnny Depp, quase irreconhecível com peruca laranja, maquiagem branca e olhos verdes imensos, e Helena Bonham-Carter, que ficou baixinha e cabeçuda graças aos efeitos visuais.
Ainda assim, a sensação é a de que Tim Burton poderia ter ido mais fundo na amada e subversiva história inventada por Lewis Carroll.
Mariane Morisawa,
jornalista e crítica de cinema colaboradora do iG e da revista Preview.
Texto escrito por Mariane Morisawa, de Los Angeles, e publicado no portal iG em 22/07/2010:
Em seu novo longa-metragem Christopher Nolan acredita no público e nas ideias.
Christopher Nolan desafiou os espectadores ao fazer de O Cavaleiro das Trevas muito mais do que um simples e divertido filme de super-herói. A produção era complexa, sombria, com tantos efeitos especiais espetaculares quanto drama. O público embarcou: foram mais de US$ 1 bilhão faturados ao redor do mundo.
Tamanho sucesso credenciou o diretor a comandar um projeto mirabolante em que trabalhava havia mais de dez anos. A Origem, como outras obras do cineasta, investiga a mente, desta vez por meio dos sonhos. Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) comanda uma equipe que compartilha e assim invade os sonhos de pessoas para roubar de seu inconsciente segredos que possam ser utilizados por empresas concorrentes. Um poderoso empresário (Ken Watanabe) procura o serviço para propor algo diferente: que ele implante uma ideia no cérebro do herdeiro de outra companhia (Cillian Murphy). Dom contrata uma nova arquiteta dos sonhos, Ariadne (Ellen Page), e junta sua turma, formada por Arthur (Joseph Gordon-Levitt), Eames (Tom Hardy) e Yusuf (Dileep Rao). Ao mesmo tempo, o passado de Dom, na forma de Mal (Marion Cotillard), vem para assombrá-lo.
Como os sonhos são ambientes cinematograficamente ideais, as cenas vão deixar o espectador boquiaberto como não ficava desde Matrix. Paris dobra-se sobre si mesma, explode em milhões de pedacinhos, jatos de água invadem uma casa tradicional japonesa. Joseph Gordon-Levitt, que faz o responsável por toda a logística do grupo, é quem se diverte mais, andando pelas paredes e pelo teto e levitando em espaços com gravidade zero.
A Origem não é um simples filme de ação, no entanto, e mistura gêneros diversos. Há um golpe em andamento, o que contribui para o suspense, mas também drama e uma história de amor. A fronteira entre heróis e vilões fica ainda mais borrada do que em Cavaleiro das Trevas. O que Dom e sua trupe fazem é ilegal e imoral, mas, ainda assim, torcemos por eles.
O diretor leva seus jogos mentais à última instância e desafia o espectador para que fique ligado nas intricadas camadas de seu roteiro, sem jamais chateá-lo com um quebra-cabeças inútil. É impossível não ficar intrigado. Nolan acredita nas ideias, acredita na imaginação, acredita no público – algo cada vez mais raro, se não inexistente, em Hollywood. E, assim, fez o melhor filme da indústria em anos.
Assista abaixo ao trailer de A Origem:
Mariane Morisawa,
jornalista e crítica de cinema colaboradora do iG e da revista Preview.